Projetos na EJA
(Profº Manoel Filho)
Viajar retornando ao passado sempre me remete a revisões, que considero muito importantes. Uma dessas viagens é através de siglas e projetos vinculados a Educação de Jovens e Adultos.
Trata-se de um projeto que, no decorrer do tempo, vem se modificando e adaptando as realidades do Brasil e a falta de oportunidades das pessoas. E, muito dessas faltas de oportunidade, está relacionada diretamente a dois fatores principais - a pobreza de um povo em um país riquíssimo e a uma política de faz de conta educacional duvidosa.
Mas, vive-se com o que se pode e muda-se o possível, dentro do possível. Considerando agora pelo lado de uma Educação séria e comprometida, ao contrário da "educação faz de conta", muitas mudanças foram impostas ao sistema e que tem contribuído para melhorias, as vezes informais, mas aplicadas.
Os nomes mudam de acordo com a conveniência política, mas de políticos ... apenas. Assim, títulos como Fluxo e Regularização de Fluxo foram se alterando até o seu melhor, mais sério e dentro de uma filosofia emancipadora. Trata-se do Projeto de Educação de Jovens e Adultos - EJA.
Ainda necessitando de melhorias e avanços, além de uma maior profissionalização de quem atua nesse segmento educacional. Mas avançou e em muitos casos se humanizou. Entretanto há de ser observado que durante um longo período houvera vários ensaios até que se chegou a uma definição integrada e por todos pensados. Claro há de se ficar que integrou-se a comunidade escolar - gestores, professores e estudantes.
Ainda em uma linha de tempo pregresso os primeiros projetos por mim trabalhados eram separados individualizados e depois realizados por área. Os resultados - tarefas cumpridas. Contudo, com o tempo a vivência e o espírito educacional indicavam uma releitura das atividades e métodos de ensino aprendizagem. Exemplificando os fatos, sete de setembro é importante porém dois de julho é muito mais importante. Isso é fácil de se explicar: não se trata apenas de um fato histórico isolado ou regional, é muito maior do que isso porque a história dos vencidos começa a ter força e a ser contada. O povo baiano se tornou a nação brasileira, juntos e unidos vidas foram ceifadas e regaram o chão com seu sangue. Tudo isso em prol da liberdade de todos os brasileiros.
Nessa linha de pensares, a fome, desemprego, tortura, injustiças sociais, racismos, exclusões não poderiam ser laços fora e viva o povo brasileiro. Agora era ter-se uma realidade voltada para a vida cotidiana, sofrida e sem oportunidades para muitos brasileiros. E na sequência da linha do tempo e como consequência tivemos muitas lutas pela vitória de educação universalizada e de qualidade da educação, por vezes mínimas, mas vitórias.
A consequência e os avanços foram através da transgressão e teve como avanço transgredir o "mesmo". E isso é feito com resistência através da informação, contextualização, buscas ativas, cuidando e zelando. Em suma, a luta baseia-se em tornar o improvável uma obra chamada Educação Inclusiva.
O projeto tem que ter arte, cultura, conhecimento e ser humanizado. Dever-se-á ter respeito pelas turmas formadas. Isso porque são heterogêneas em idades, em períodos de afastamento escolar, ausência, muitas vezes, de conhecimento formais e sem acréscimo de patrimônio cultural, por exemplo. Mas são homogêneas no trato de uma convivência aguerrida pacificamente e caminhando firmemente na escrita de sua próprias histórias de vida.
Por tudo isso, transgredir na Educação de Jovens e Adultos, significa informar, vivenciar verdades, escrever a história dos vencidos, sentir-se presente, vencedores por cada obstáculo transposto e não ser um opressor por antes ter sido coibido de ser humano através da opressão.
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